terça-feira, 18 de março de 2014

Fugas!

Então fugi...
Fugi de uns olhos
Que perscrutavam
O âmago do meu ser
E me tocava, estremecia,
Alegrava, pedia matava.
Fugi!

Fugi de um canto macio,
Meigo, convincente
Que me encantava, entristecia,
Implorava e me perdia...
Fugi!

Fugi de um querer - imensurável -
Delicioso de paraíso
Para internar-me em mim...
Este odioso em mim!
Águas claras, revoltas,
Lama tranquila.
Fuga!
Fuga!
Espasmos! Demência!
Bebedeiras mil!
E fuga e dor e ódio.
Ódio mortal
E nojento em mim!

Silêncio...
Repressão...
Conformismo...

Tu chegas!
Surges como a fatalidade.
Como surge a vida e surge a morte!
Fala-me!
Olho-te!

Uns olhos muito teus.
Fixam-me à raiz!
Tremo!
Convulsiono-me, rolam-me lágrimas.
E penso...
Volto a olhar o teu olhar...
Agito-me, receio...
Afasto-me, lembro...
Falo-te, entristeço...
E me perco!

Fuga...Fuga?
Fuga...

E saudade e anseios
E utopias!
E beijos e abraços.
E calor e estímulo.
E temor
Fuda....e perdão!