
Uma multidão, à sua frente, com as mãos levantadas. Aquele momento era o auge das suas aceleradas e exageradas batidas no coração. Suas leves e delicadas mãos tremiam. Suavam. Era ali o tão falado momento. Um banquinho de madeira o diferenciava de mais de 3.000 pessoas, que pararam e dedicaram aqueles breves minutos para escutá-lo. Um formador de opinião, o que ele fala, faz a diferença. Quanto mais ele notava a importância de sua fala, mais as suas pernas bambeavam. Seu rosto pálido, seus lábios trêmulos, suas olhos tímidos, seus ouvidos apurados escutavam cantos de incentivo. Faixas, placas, cartazes diziam seu nome. Era aquele momento em que ele decidiria entre o caminho do anonimato e o caminho da superação. Cãmeras, repórteres, radialistas, famílias, estudantes, todos compondo uma multidão, esmolando algumas palavras daquele que poderia ser o notável. E entre palmas e aclamações, um sentimento lhe surgiu, e ele respirou, tomou ar, a multidão se calou, e uma lágrima escorreu de seus olhos. Desceu do seu palco improvisado e se misturou no aglomerado. Eis a sua escolha...
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