sábado, 24 de setembro de 2011

Nossas vidas

Mais uma vez recorro à piedade e a compaixão de vocês.
Mais uma vez o projétil da saudade me acertou o peito.
Não sei mais pra onde correr ou onde devo me esconder.
Minha única certeza é que ele vai me encontrar
Assim como tem sido todos os meus dias desde que deixei você.

A distância entre as nossas casas,
Nunca foi tão distante quanto daquela vez.
Tudo o que era eterno e perfeito,
Terminaria ali.

Pior do que isso,
É o fato de que nada estava errado.
E uma pergunta me assombra todas as noites.
"Porque terminar então, o que era lindo e perfeito?"
Algumas respostas me martelam a cuca.
Acho que eu não estava preparado pra ser feliz.
Acho que eu não merecia um amor tão lindo e tão pra sempre.

Hoje você é feliz.
Encontrou o segundo homem da sua vida.
Vai realizar com ele todos os planos que fizemos pra nós.

Eu, como uma pérfida vingança contra mim mesmo,
Continuo, em vão, tentando encontrar você.
Sei que não vou conseguir, e por isso,
Me contento com qualquer coisa que, pelo menos,
Me faça ter vontade de viver.

domingo, 4 de setembro de 2011

A carta

Ela me chegou sem surpresas...
Nem a li de repente!
Guardei-a, escondida, entre a camisa e o coração.
E a fui sentindo toda, à tarde e à noite...

Doía! Ó Deus como se me doía !

Uma a uma, as palavras, me foram
penetrando o âmago desse ser conturbado
E me brotaram lágrimas abundantes
que, em vão, tentei conter.

E me invadiu a amargura e o desespero.

Oculta entre a camisa e o coração,
uma decisão há tanto premeditada
feria de morte a minha alma,
naquele instante tão frágil
e tão carente de afeto e de amor.

Então, cansado, vencido pela solidão
e vencido pela crueza da dor,
exausto, à beira do abismo sem fim,
abri a carta que me chegara!

Doeu! Ó Deus, como me doeu!

De unhas cravadas na tênue esperança
que ainda me sustentava, li seu conteúdo
que me tirava o derradeiro alento!

Então, quedei prostrado
Vislumbrando a frase final:
"E desejo-te toda a felicidade do mundo."

E nesse instante, já sem lágrimas
E sem desespero, já sem dor.
Misteriosamente cheio de paz
Ouvi, distintamente, em mim:
"E tu a amastes uma vida toda!"