domingo, 4 de setembro de 2011

A carta

Ela me chegou sem surpresas...
Nem a li de repente!
Guardei-a, escondida, entre a camisa e o coração.
E a fui sentindo toda, à tarde e à noite...

Doía! Ó Deus como se me doía !

Uma a uma, as palavras, me foram
penetrando o âmago desse ser conturbado
E me brotaram lágrimas abundantes
que, em vão, tentei conter.

E me invadiu a amargura e o desespero.

Oculta entre a camisa e o coração,
uma decisão há tanto premeditada
feria de morte a minha alma,
naquele instante tão frágil
e tão carente de afeto e de amor.

Então, cansado, vencido pela solidão
e vencido pela crueza da dor,
exausto, à beira do abismo sem fim,
abri a carta que me chegara!

Doeu! Ó Deus, como me doeu!

De unhas cravadas na tênue esperança
que ainda me sustentava, li seu conteúdo
que me tirava o derradeiro alento!

Então, quedei prostrado
Vislumbrando a frase final:
"E desejo-te toda a felicidade do mundo."

E nesse instante, já sem lágrimas
E sem desespero, já sem dor.
Misteriosamente cheio de paz
Ouvi, distintamente, em mim:
"E tu a amastes uma vida toda!"

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