terça-feira, 26 de março de 2013

Desistência

No quarto trancado,
O cheiro da solidão entranhava nas suas narinas,
E ardia. Ardia.
Ardia como arde o fogo.
O fogo que queima o baseado na boca.
O fogo que ateou na cortina do quarto.

A morte corria sua pele,
Como antes corria uma língua.
E os arrepios que outrora eram desejo,
Naquele momento se tornaram prelúdio,

E o suor do corpo, se mistura às suas lágrimas.
E o que resta ainda é dor, e solidão.
Seus gritos nem são mais ouvidos.
E o desejo súbito de se parar o coração.
A vontade rasga tua carne.
As tuas feridas jamais cicatrizarão.
Porquê não estão na carne. São de alma.
E a tua morte, é a solução.
A morte sofrida, com dor, como foi tua vida.

O fogo já secava as lágrimas,
E o corpo já não tinha mais o que suar.
Os teus pêlos já não existem.
Os teus olhos já não enxergam.
Queima, queima aos poucos.
Queima, como se queimou os teus amores.
Queima, como se queima as tuas lembranças.
Queima, como se queria queimar a dor.
Queima. Queima. Queima. Queima.
Sua pele distorcida,
Teu rosto irreconhecível.
Tentativas, em vão, de suspiros desesperados.
O momento mais feliz da sua vida.
O fim de todas as suas dores.
A dor do fogo, era menos dor, que a dor do amor.

E então chega a morte. Vestida de preto.
A silhueta de uma mulher. Da sua mulher.
Era a morte. Cruel. Assassina. Era ela.
Já não havia mais lágrimas. Já não havia mais dor.
Já não havia mais vida.







Um comentário:

  1. Fico imaginando como seria quando o senhorito me pedisse em casamento. Era um momento que eu esperava muito, quem sabe um dia ainda acontece né? Gracinha de menino.

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